FORTALEZA

Teus segredos estão desenhados nas areias quando as ondas se recolhem, fica escrita mesmo, quase que grafias harmonizadas a espera de um diálogo, que dê outro significado ao monólogo que se repete desde o tempo das estrelas. Ele se propõe sinuoso, constante e extremamente delicado, como é o Ceará. Sim, delicado como rendas, como o paladar provocado, como o humor inteligente. Delicado como os desenhos de Leonilson, costurados como mapas na pele, profundos, porque é na delicadeza que se tocam as profundezas de suas águas. Surge uma sonoridade a toda prova em seus nomes musicais: Cumbuco, Canoa Quebrada, Lagoinha, Iracema, Morro Branco, Varjota, Aldeota, e tantas outras que olham o Futuro, porque o Futuro também mora lá ,na passarela mais estimulante que se oferta e se oferece infinitamente, nesse sol que acaricia todos os corpos e todas as línguas na nova torre de Babel. Vende e compra, reproduzindo a metáfora mercantil que apagou todas as ideologias.

Fortaleza do Dragão, onde a cantora canta e todos bebem;no mercado que se veste de cores infindáveis, de castanhas carinhosas, e que mostra a poesia do silêncio,como vitrais de uma outra catedral sem Papa, nem Bispo. Daqui Belchior diz que continuamos como nos tempos dos nossos pais, Fagner enxergou o teu aquário líquido, e Alencar já chutava a monarquia em seu tempo. Por isso os piratas, anarcas, zarparam para sempre para inventar as segundas feiras mais animadas do planeta, onde todas as tribos fazem a reinvenção do fim de semana, e a alegria explode quando não autorizada. Sim, o pirata continua zarpando em tudo o que se constitui para dar outros sentidos a tudo o que se esgota. Fortaleza ri para a vida que cobra urgente outros olhares, e como cobra!!!! Aqui está o Arre-égua que se fez na contramão da globalização, que deixa tudo igual, assumiram os espelhos do tempo, e fizeram a memória do que muitos escondem
Eles se orgulham da sua arquitetura livre, e a música clássica lá se dança de mãos dadas com o primitivo que não se nega, ao contrário, se exibe na certeza da suas verdades. Em Fortaleza se acredita que tudo pode esperar, até que a conversa se esgote, em qualquer esquina, em baixo das mangueiras que escolhem as cabeças premiadas, Sirigado de sabores, no Boteco que não tem medo do Pingüim.

Lá não é virtual a fala, é de carne e tem cheiros de amigos que São José do Rio Preto exportou, para semear alegria em outros corações,deixando este rio um pouco mais preto. Ulysses você estava certo quando fez a viagem ao contrário levando daqui as memórias do avô, dos amores consumados, do pai que valia ouro, e do “timão” que se exibe nas cores do Ceara Sport clube. Agora a eternidade passeia com o Felipe, e na cumplicidade amorosa da Luciana, e eles sabem que lá fotografaram o paraíso quando Eva comia maçã, só que Deus não a viu, então ninguém conhece o pecado. E os castigos? Ahhh… esses quem os impõe, claro, são os que fazem oposição a Deus. E Fortaleza criou a blindagem das células tronco,para preservar o DNA dos sonhos que os humanos vão apagando, dos sorrisos que esperam que a reinvenção da Terra pode começar por lá.

Manolo Huerta